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SAL "Sal del Atlántico"

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Aveiro

No conjunto das grandes zonas húmidas costeiras portuguesas a Ria de Aveiro constitui um caso muito particular, pois embora tenha a designação de Ria na realidade não o é, visto constituir uma vasta região lagunar. Algo entre um estuário e um delta, com paisagens muito diversificadas, que vão desde as dunas e pinhais costeiros, que protegem a laguna das investidas de um mar quase sempre agitado, até aos prados e sebes das terras baixas do interior, que nos transportam a uma paisagem compartimentada, com rotações culturais e longos períodos de alagamento, num ambiente típico da Europa atlântica.

O vasto conjunto de paisagens da Ria, compreendendo a faixa costeira, os sapais, os juncais, as salinas, as matas ribeirinhas, os campo de cultivo e os caniçais, constitui um importante local para a Conservação da Natureza que motivou a sua designação como Zona de Protecção Especial (ZPE) no quadro da Rede Natura 2000, sendo uma das mais extensas áreas de Portugal com este estatuto. Anualmente por aqui passam milhares de aves aquáticas no decurso das suas migrações, albergando também a ria populações nidificantes muito significativas para algumas espécies.

Neste quadro paisagístico as salinas ocupam um lugar de especial destaque. Aliás, uma boa parte de Aveiro terá nascido e crescido em função do sal. Séculos desta convivência estreita, da salicultura com a cidade, fizeram com que, para a generalidade dos portugueses, este seja o seu ex-libris. Ao evocar Aveiro evoca-se imediatamente a Ria; as suas características embarcações - moliceiros – e as salinas com a sua paisagem geométrica, de compartimentos regulares e pirâmides dispersas pelo horizonte. E as referências não se ficam pela laguna... Pelos canais urbanos, as salinas invadem também a cidade, abraçam-na, reflectindo-se nos armazéns ribeirinhos, nos azulejos; na estatuária, na toponímia das ruas… há, por assim dizer, uma relação intrínseca das gentes com o espaço, a percepção de uma paisagem humanizada, de contornos históricos, que deve ser motor e mais-valia do desenvolvimento local. O Ecomuseu Marinha da Troncalhada é disso exemplo ao explorar essas vertentes e ao ser elemento de uma gestão integrada dos vários espaços culturais de Aveiro e um promissor pólo turístico. A Universidade, num caminho paralelo, faz da laguna e do salgado um dos seus palcos privilegiados de investigação.

No âmbito do INTERREG – SAL a Ria de Aveiro está representada por dois parceiros: o Município de Aveiro e a Universidade de Aveiro. A primeira tem responsabilidades sobretudo ao nível da organização dos produtores e da valorização do produto, bem como nas acções relacionadas com o turismo e com os valores do património cultural ligados às salinas, sendo da sua responsabilidade a criação de um Centro Interpretativo com um circuito pedonal associado, para além da dinamização da Rota do Sal do Atlântico. À Universidade estão acometidas tarefas de coordenação de acções inter-regionais, nomeadamente o desenvolvimento de um fundo documental e trabalhos experimentais na área da protecção dos muros das salinas contra a erosão, além da participação em acções referentes à biodiversidade, reconhecimento do sal artesanal e sistemas de informação geográfica aplicados ao ordenamento de zonas salineiras.

Última modificación 04/05/2007 13:00
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