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SAL "Sal del Atlántico"

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Leiria-Junqueira

Na história das salinas portuguesa a Junqueira (Monte Redondo-Leiria) constitui um caso absolutamente singular. Esta singularidade advém-lhe do facto de se tratar de uma salina interior, que utilizava a água proveniente de uma nascente salgada, cuja explicação geológica se deve à presença de um diapiro – o Diapiro de Monte Real, uma estrutura tectónica com um núcleo de sal-gema e gesso, responsável por aquíferos subterrâneos com elevados teores de salinidade. Porém ao contrário do que sucede com as salinas interiores de Rio Maior, divididas em algumas dezenas de unidades propriedade de outros tantos marinheiros, a Junqueira era uma única salina, com um traçado de marinha costeira (importado da Figueira da Foz), cuja história, por oposição à história milenar de Rio Maior, é bastante recente.

O nascimento e o final da salina da Junqueira está perfeitamente datado, vai de 1922 a 1980. É a marca da vontade de um homem - José Rolo Júnior – um empreendedor nato, inteligente e culto, que ao descobrir que existiam depósitos salinos naqueles terrenos construiu a salina, recorrendo às observações que realizou na Figueira da Foz e à contratação de marnotos locais.

Durante cerca de cinco décadas o sal da Junqueira foi comercializado com a marca Império, sendo destinado ao mercado local e também a armazenistas de Lisboa, para onde era enviado por via-férrea. Devido a várias obras hidráulicas, a partir de meados de 1960 os teores de salinidade da água baixaram consideravelmente e, gradualmente, a salina da Junqueira entrou em declínio.

No entanto a particularidade da Junqueira não se esgota apenas na sua história e na sua tecnologia, pois toda a propriedade tem um substrato turfoso, com um solo movediço que mantém água mesmo em períodos de estiagem prolongada, onde se desenvolve uma vegetação palustrina dominada pelo junco, daí lhe advindo o nome de Junqueira. Após o abandono da actividade a colonização da vegetação foi extraordinariamente rápida, não restando praticamente vestígios do antigo traçado da marinha, à excepção de alguns planos de água, mas que apresentam um desenho irregular.

Em termos de habitats naturais a Junqueira é uma turfeira não-activa onde se desenvolvem comunidades vegetais palustrinas constituídas, além dos já referidos juncais, por caniçais e uma galeria ou mata ripícola dominada por amieiros e salgueiros.

No âmbito do INTERREG – SAL a participação do Município de Leiria foi motivada pelo desejo de perpetuar a memória do local, dando-lhe condições de visitação através da construção de um passadiço sobrelevado e meios interpretativos, constituídos por uma série de painéis, sobre a história, a geologia, e os valores da conservação da natureza e da biodiversidade ligados ao sítio.

Última modificación 04/05/2007 12:58
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